Bem
no centro histórico medieval da cidade do Porto existe a chamada Viela do Anjo,
parte integrante e limite do bairro da Sé, o núcleo mais antigo de da cidade, todo
ele hoje em dia vivendo numa condição marginal ao movimento e desenvolvimento
do contexto urbano. A Viela do Anjo aparece como tal (uma viela) para servir o
acesso a logradouros nas traseiras dos lotes urbanos que fazem a frente da
importante Rua Mouzinho da Silveira. Era um caminho funcional, apenas acessível
a quem possuía ou trabalhava as terras em questão. Com o evoluir, os
logradouros tornaram-se pátios das casas, e em última análise, zonas
abandonadas.
Muito
recentemente, deu-se uma intervenção com vista a, supostamente, acabar com a
condição de ghetto do bairro da Sé e iniciar uma atitude de aproximação do
bairro à cidade. Para tal, a intervenção unificava todo o espaço dos antigos
logradouros com a antiga viela num espaço público de dimensão razoável, uma
“praça”. Essa praça passa a ter nesta nova intervenção bastante dispendiosa, um
acesso à rua Mouzinho da Silveira. Dotou-se o espaço de vários espaços
comerciais que deveriam levar camadas de população de nível médio e alto a
frequentar o espaço e trazer alguma animação e vida social ao bairro da Sé.
Também se reabilitaram no processo vários prédios centenários que fazem frente
para o novo espaço público.
O que se passou, no entanto, esteve longe de ser o que estava previsto. Do ponto de vista social, a intervenção revelou-se um autêntico fracasso. A posição bastante escondida do espaço, a sua muito ténue abertura à cidade fez com que a afluência de pessoas nunca fosse a desejada, e os espaços comerciais, destinados a equipamentos de algum requinte fossem progressivamente abandonados. A vandalização do espaço foi o passo seguinte. Paredes degradadas e a ocupação por camadas marginais da população. A solução foi de recurso por parte das entidades oficiais. Foram deslocados para ali dois tipos principais de actividades: escritórios de arquitectura especialmente vocacionados para a reabilitação do centro histórico do Porto e associações de imigrantes.
Hoje o espaço jaz, meio inerte, meio animado pelas associações que o ocupam, pedindo algo mais que apenas estar ali. É esse o desafio.